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Mudanças estratégicas para a evolução das IES

por Elisa Wolynec

O setor de ensino superior privado passa por uma crise que demanda mudanças de rumo. Muitas instituições expandiram-se e outras novas foram criadas, seguindo os modelos tradicionais de uma ou duas décadas atrás, sem levar em conta que o contexto do mundo globalizado e a explosiva evolução das tecnologias de informação e comunicação produziram uma profunda mudança no perfil do profissional valorizado pelo mercado, bem como nas expectativas dos alunos. Soma-se, ainda, o fato de que o público é outro, tanto em termos de poder aquisitivo, quanto em formação pré-universitária.

As instituições de ensino superior têm uma grande oportunidade à sua frente. O setor atravessa uma crise e a crise força a repensar custos, práticas de gestão e de ensino, bem como a refletir sobre as necessidades tanto dos alunos quanto do mercado de trabalho. É durante uma situação de crise que as instituições conseguem diferenciar-se introduzindo inovações.

Tanto o mercado de trabalho quanto o público estudantil demandam uma organização curricular que envolva interdisciplinaridade e prática. É que o mundo mudou no que tange às relações de profissionais de conhecimento e empregadores. O salário cede cada vez mais lugar a uma remuneração baseada nos resultados produzidos pelo profissional. Atualmente, as empresas estão à busca de gente que pense estrategicamente, que trabalhe em equipe, muitas vezes distribuída geograficamente, que contribua com idéias novas para a solução de problemas e seja capaz de tomar decisões e agir com eficácia.

Na maioria dos casos, os cursos das nossas IES não preparam os jovens para esses desafios. São cursos seriados, onde o estudante fica passivo a maior parte do tempo. São muito específicos para uma determinada atividade profissional e não fornecem uma formação básica que dê flexibilidade de atuação e possibilidade de mudança de carreira. Não desenvolvem o empreendedorismo, o raciocínio analítico e crítico e nem capacitam o estudante a aprender de forma independente.

Além Mudanças_01das questões de conteúdo, metodologia e organização dos cursos há uma inversão de valores em relação ao tratamento que é dado aos alunos e ao corpo docente. No modelo dominante, individualiza-se o docente, dando autonomia para cada um desenvolver o curso ao seu modo. Em muitas instituições, mesmo quando uma disciplina tem vários docentes e várias turmas de alunos, permite-se que cada docente lecione como lhe apraz. Como muitos professores lecionam em mais de uma IES, este modelo permite-lhes utilizar praticamente o mesmo material já preparado anteriormente. Em confronto com essa autonomia pedagógica oferecida aos docentes, os alunos são tratados como uma massa homogênea.

A primeira mudança a ser introduzida é abandonar uma visão fixa do que os estudantes querem ou necessitam. Os estudantes diferem entre si em termos de sua formação anterior e das experiências já vividas e, especialmente, quanto à forma mais eficaz de aprender. É necessário criar ambientes de ensino-aprendizagem flexíveis, que ofereçam diferentes oportunidades de aprendizagem.

O grande avanço introduzido pela tecnologia da informação na educação, é que a utilização das plataformas de e-learning permite ampliar o leque de oportunidades de aprendizagem oferecidas individualmente a cada estudante. Para aprender um conjunto de conceitos, o estudante pode, por exemplo, escolher entre ler alguns textos, ou assistir um vídeo e depois redigir um trabalho, ou então participar de uma discussão via Internet com colegas, ou fazer um estudo de caso com aplicação dos conceitos.

Utilizando o ambiente de e-learning, o conjunto de docentes responsável por uma mesma disciplina pode desenvolver um material único para o curso, contendo experiências de aprendizagem diversificadas. Além do mais, o desenvolvimento de material de aprendizagem de forma compartilhada elimina a duplicação de atividades entre docentes. Por outro lado, a troca de idéias entre os membros da equipe permite produzir um material mais rico e diversificado. Em praticamente todas as áreas de atividades que envolvem conhecimento, o desenvolvimento de trabalhos em equipe tem se mostrado produtivo e inovador. A atividade educacional não é exceção, entretanto o fato de que muitos docentes trabalham em tempo parcial dificultava as atividades em equipe. O ambiente de e-learning elimina esse empecilho, pois os docentes podem trabalhar em conjunto de onde estiverem, de forma síncrona ou assíncrona. Assim, é possível padronizar o ambiente de ensino-aprendizagem institucional, garantindo uniformidade e qualidade para todas as turmas da mesma disciplina, ao mesmo tempo proporcionando um atendimento individualizado aos alunos.

OMudanças_02 único caminho, que permite formar o tipo de profissional que o mercado atual necessita, com competência para atacar problemas complexos e para negociar consenso em trabalhos de equipe, consiste na diminuição de aulas expositivas, substituindo-se o ensino transmissional pela aprendizagem ativa. É necessário introduzir atividades realizadas pelos alunos em grupo, fora do espaço da sala de aulas, que podem ser desenvolvidas utilizando o ambiente virtual da plataforma de e-learning

Para diminuir o trabalho de desenvolvimento do material dos cursos e também para atender à demanda do mercado por uma formação mais flexível, é necessário reestruturar os cursos, com a introdução de uma formação básica para cursos da mesma área. Dessa forma compartilham-se disciplinas entre vários cursos, possibilitando a colocação de alunos de diferentes cursos em uma mesma turma de uma disciplina, otimizando-se a utilização dos recursos.

Estas mudanças estratégicas requerem muito trabalho e liderança, mas algumas instituições já conseguiram introduzi-las e estão crescendo seu alunado em taxas muito superiores às do mercado. O retorno dos necessários investimentos é muito rápido. Várias instituições que utilizam o Blackboard, por exemplo, fazem agora todas as provas on-line para seus alunos e usam o sistema, inclusive, para fazer o vestibular eletrônico. A economia introduzida por estes dois processos já retorna o investimento efetuado na aquisição da plataforma de e-learning.

Essas mudanças no ambiente de ensino-aprendizagem devem ser introduzidas em consonância com estratégias de gestão. Os alunos não aceitam mais ficar horas em uma sala aguardando atendimento pela secretaria.

O uso da secretaria acadêmica virtual do Lyceum, por exemplo, reduz os custos em aproximadamente quatrocentos mil reais por ano, para uma instituição com 10 mil alunos. O uso do sistema de faturamento que engloba todas as cobranças do mês em único boleto, introduz diminuição de taxas bancárias e outros custos, resultando em uma economia média de dez reais por aluno por ano, ou seja, cem mil reais para uma instituição com dez mil alunos. Outro processo do Lyceum que também introduz uma economia anual dessa monta é a avaliação institucional, efetuada totalmente por processo digital.

Entretanto, as vantagens de utilização de um sistema de gestão acadêmica inteligente não se justificam somente por essa economia de recursos, mas principalmente pelos instrumentos oferecidos para o contínuo monitoramento da qualidade, do desempenho financeiro e pelas informações, em tempo real, que orientam a tomada de decisão. Sobretudo, as funcionalidades de auto-atendimento, disponíveis para alunos e docentes, aumentam significativamente a satisfação da comunidade acadêmica.

Esses simples exemplos de retorno dos investimentos mostram que ao contrário do que muitos dirigentes alegam, não é o custo que impede que as mudanças estratégicas sejam introduzidas. É a falta de profissionalismo e liderança na gestão. A crise, entretanto introduz um mecanismo de seleção natural. Vão sobreviver e evoluir as instituições que conseguirem agir em consonância com as necessidades da economia global.

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